VIVER SEM VER

Como acontece apenas algumas vezes comigo (mas certamente é bem menos comum para a maioria das pessoas), saí do cinema sem poder falar sobre o filme. Não porque não tivesse o que falar, mas porque um aperto daqueles na garganta me impedia. Nessas horas eu sempre peço a quem estiver comigo: "Preciso de um tempo pra falar sobre o filme"...

A cena aconteceu em 'Ensaio sobre a Cegueira':

Pra quem nunca leu nada de Saramago, é um ótimo começo - aliás, foi o primeiro livro dele que eu li. Isto porque ler um Saramago é uma experiência difícil - quase sempre muito recompensadora, em minha 'experiência'. E digo quase apenas porque não consegui chegar ao fim de 'A Caverna', que achei muito chato.

Mas 'Ensaio...' é um livro instigante, que por seu mote original nos faz querer saber até onde aquilo vai. E assim consegue fazer com que superemos bravamente um livro cujos personagens não têm nome (eles são 'o oftalmologista', 'a mulher do oftalmologista', 'a garota de programa', 'o recepcionista' etc) e cujos diálogos não são pontuados por travessão ou mesmo têm indicação de quem são os dialogantes.

Mas o filme por sua natureza visual desfaz parte dessa dificuldade e 'amacia' a forma. O conteúdo, por sua vez, é o mais fidedigno que eu já vi numa adaptação.

Pra quem ainda não sabe, parte das cenas foi filmada aqui em Sampa, e são exatamente essas as que mais me impressionaram. Confesso que me emocionei, cheguei a chorar ao ver algumas cenas que me fizeram ficar embasbacado pensando 'como eles conseguiram filmar isso aqui? como conseguiram transformar são paulo nessa cidade fantasma???'. Fiquei mesmo pasmo!!!

A história, pra quem ainda não leu o livro ou qualquer resenha, fala de uma epidemia de cegueira branca que acomete a população. Começando com um único cara, foi se alastrando por todos aqueles com quem ele teve contato e daí por diante. Para 'conter a ameaça', os primeiros casos foram confinados a um local e lá se passa grande parte da história, mostrando todas as transformações pelas quais os seres humanos podem ou têm que passar para se adaptar a um mundo como aquele. E claro que muitas metáforas podem ser tiradas daquela história.

Fantásticos os desempenhos de todo elenco, com óbvio destaque para a protagonista de Julianne Moore, a única pessoa 'naturalmente resistente' à infecção... nossa menina Alice Braga também dá mais um show de trabalho.

Impactante, mesmo pra quem conhece a história. Daqueles filmes em que a platéia levanta calada ao final. E que me fazem pedir um tempo pra comentar também.

Recomendadíssimo na categoria 'Imperdível'.

Fui!!! 

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